Diversificação e análise macro na cesta de ações
Diversificação e análise macro na cesta de ações | Guia de Previdência Valor/FGV | Valor Econômico
Por Suzana Liskauskas — Para o Valor, do Rio
Apesar do cenário mais difícil para renda variável, algumas gestoras têm conseguido superar o Ibovespa
Os últimos três anos têm sido particularmente desafiadores para a gestão de fundos de ações, incluindo os fundos de previdência baseados nessas estratégias. Apesar do cenário mais difícil para renda variável, algumas gestoras têm mantido consistência nos resultados positivos em fundos previdenciários de ações, conseguindo superar o Ibovespa.
Por trás das estratégias com maior sucesso, há equipes que aprenderam a valorizar a análise macroeconômica para complementar o olhar mais focado nas empresas. Esses times de gestores também não abrem mão da diversificação e inovam no uso da inteligência de dados.
Com pouco mais de três anos, os fundos de previdência ações da Absolute têm se destacado por superar o Ibovespa, diz Tiago Sant’Anna, sócio fundador da empresa. Com estreia em maio de 2021, os fundos de previdência ações da Absolute replicam o mesmo racional dos fundos abertos da gestora para a categoria, que existem há seis anos.
Na estratégia de ações, a Absolute tem R$ 4 bilhões sob gestão, sendo R$ 210 milhões em fundos de previdência. Sant’Anna observa que, como os fundos de previdência replicam a estratégia dos fundos de ações regulados pela Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os portfólios também são bem balanceados.
“No mundo de ações, fazemos portfólios bem equilibrados. Muitas vezes, os fundos de ações são uma coleção de boas ideias que acabam apresentando uma correlação muito alta e podem ter um retorno muito bom ou muito ruim. Temos conseguido navegar bem, sem depender de um único tema ou de um movimento único do mercado”, diz o sócio fundador da Absolute.
Na análise de Sant’Anna, o equilíbrio obtido pela gestão dos fundos de ações para previdência resulta da diversificação, do entendimento dos fatores de risco da carteira e da análise macroeconômica para validar as posições.
Análise macroeconômica também tem sido relevante para os resultados alcançados pelos fundos de previdência em ações da Truxt. Com aproximadamente R$ 220 milhões exclusivamente em fundos classificados com previdência ações, a Truxt atribui o desempenho positivo desses fundos à estratégia que foca em uma carteira de 15 a 25 empresas de diferentes setores. Para chegar a essa seleção, o time da companhia prioriza algumas características.
Arthur Carvalho, economista chefe da Truxt, diz que a preferência é por negócios com vantagens competitivas e que apresentem oportunidades de crescimento em setores com barreira de entrada. Outro ponto fundamental é a busca por valuations (processos para estimar o valor de uma empresa ou um ativo) atrativos e que incluam uma margem de segurança robusta, ressalta Carvalho.
A gestão da Truxt também foca em inovação. Segundo Carvalho, a gestora vem reforçando o investimento no uso de dados para enriquecer a análise. “Utilizar dados alternativos nos ajuda a ter um diferencial em nossas estratégias. Implementamos, ainda, mais automação nos processos internos, o que permite alocação de tempo mais eficiente para a equipe de gestão e fortalece a qualidade das decisões de investimento”, afirma.
Na Trígono Capital, as carteiras dos fundos de ações para previdência têm maior concentração de small caps. Esse grupo é formado por empresas com menor valor de mercado em comparação às companhias mais tradicionais da bolsa de valores. Werner Roger, sócio fundador e diretor de investimentos da gestora, observa que as small caps se destacaram na reta final de 2023, com o movimento de queda de juros.
Para Roger, as duas estratégias de fundos de investimentos em ações (FIAs) de previdência da Trígono têm se destacado pela composição da carteira, que, afirma, é diferenciada e com ativos de qualidade. “Vamos continuar focados em empresas que não estão tão expostas a juros, que possuem receita em moedas estrangeiras, garantindo uma proteção contra a volatilidade”, diz.
No total, as duas estratégias de FIAs em previdência da Trígono apresentam cerca de R$ 480 milhões sob gestão. “Uma delas é totalmente voltada para investimentos em renda variável. Na outra estratégia, o limite é de 70% em ações. Procuramos investir em empresas com uma situação financeira muito sólida, muito caixa e pouca dívida, que pagam bons dividendos”, detalha Roger.
Para a equipe da Trígono, essas empresas podem atravessar melhor o período de alta de juros. “Buscamos também empresas com boa parte das receitas em moedas estrangeiras. Se o real se desvaloriza, elas acabam beneficiadas pelo estresse de mercado, ganham no câmbio. Nos protegemos através desse posicionamento”, explica Roger.